Braga, Porto, Aveiro e Lisboa concentram protesto de coletes amarelos, mas com pouca adesão

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O segundo protesto organizado pelo movimento de “coletes amarelos” a nível nacional está a ter hoje menos adesão do que a registada a 21 de dezembro, havendo presença de manifestantes em Braga, Porto, Aveiro e Lisboa.

Na rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa, cerca das 10:00, estavam apenas meia dúzia de pessoas, número que foi aumentando e, por volta das 12:30, já eram largas as dezenas os manifestantes, embora em número inferior ao verificado na anterior concentração.

Pelas 12:50, o trânsito foi cortado na rotunda do Marquês de Pombal, constatou a Lusa no local, uma vez que os manifestantes davam voltas à rotunda e gritavam palavras de ordem.

Empunhando uma faixa com a mensagem “temos casta nova”, os dois porta vozes do movimento em Lisboa, Ana Vieira e Ruben Gonçalves, disseram aos jornalistas, numa improvisada conferência de imprensa, não haver grupos e que estão todos no Marquês de Pombal com o mesmo propósito: “combater a corrupção”.

“Prisão com os corruptos, fora corrupção, vem para a rua” e “não fizemos abril para isto”, são outras das mensagens que podem ser lidas nos cartazes.

Ana Vieira justificou a presença de menos pessoas neste protesto com o facto de “terem medo de dar a cara”.

Enquanto prestavam declarações, um grupo de manifestantes envolveu os profissionais da comunicação social com uma tarja, criando um círculo e, através de megafone, insultaram os jornalistas, culpando-os “do estado das coisas e de contarem mentiras”.

No Porto, pelas 11:30, estavam concentrados na Avenida dos Aliados cerca de quatro dezenas de manifestantes, muitos pertencentes ao grupo dos lesados do BES, que, em silêncio, empunhavam cartazes como “não confiamos na banca” e “basta de corrupção, exigimos justiça”.

“O que se pretendia para o Porto está a ser um sucesso porque, ao contrário do que aconteceu na outra manifestação, não se pretende fazer qualquer bloqueio, mas apenas passar a mensagem de forma pacifica, de maneira a que, aos poucos, os portugueses se juntem a este movimento de insatisfação”, disse à agência Lusa o coordenador do Norte deste movimento.

Albino Leonardo acrescentou que já estão agendadas novas concentrações para os próximos sábados, com o objetivo de “ir cativando o coração dos portugueses” e que “cada vez mais se juntem a este movimento”.

Além do grupo dos lesados do BES marcou presença um outro que, a uma certa distância, exibia a faixa com a mensagem: “contra o pacto das migrações”.

Em Aveiro, cerca de 40 “coletes amarelos” concentraram-se pelas 10:00 na rotunda do Rato, na antiga Estrada Nacional n.º 109, e caminharam depois em direção ao Mercado Manuel Firmino para sensibilizar mais pessoas para esta causa, distribuindo panfletos com as suas reivindicações.

“A maioria do povo anda distraída com telenovelas, futebóis e escândalos da imprensa cor-de-rosa e não se manifesta contra aquilo que realmente importa para o país. Se as pessoas se juntarem e se manifestarem, então acredito que conseguiríamos uma massa suficiente para poder dar um rumo diferente ao país”, disse à Lusa Dina Naia.

Esta empresária de 60 anos disse que há 30 anos esperava por esta oportunidade para se poder manifestar, adiantando que as pessoas estão insatisfeitas com a corrupção e a impunidade existente no país.

Dina Naia realçou ainda que os “coletes amarelos” portugueses querem distanciar-se dos congéneres franceses e dos protestos marcados pela violência naquele país.

Em Braga, segundo a polícia, 15 manifestantes distribuíram panfletos.

Em Faro, outra das cidades em que estava previsto haver concentração, a Lusa constatou na Avenida 5 de Outubro, não haver manifestantes, apenas agentes policiais e jornalistas.

Pelas 12.30, a Direção Nacional da PSP disse à Lusa não haver registo de nenhum incidente.

O protesto de hoje dos “coletes amarelos” é o segundo ocorrido em Portugal, depois de no dia 21 de dezembro de 2018 várias concentrações terem tido uma fraca adesão, apesar de provocarem constrangimentos no trânsito em algumas cidades.

Os protestos têm sido convocados através das redes sociais, com inspiração nos movimentos contestatários em França, propondo, por exemplo, reduções de impostos ao nível dos combustíveis, da eletricidade e das micro e pequenas empresas, bem como o aumento do salário mínimo e das reformas.

Em dezembro, quatro pessoas foram detidas em Lisboa, por resistência e coação às autoridades, e 24 manifestantes foram identificados em todo o país, segundo a PSP.

/jdL