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O Castelo de Trancoso

O Castelo de Trancoso localiza-se na freguesia de Santa Maria, cidade e concelho de Trancoso, distrito da Guarda. Ergue-se imponente um planalto vizinho à nascente do rio Távora, afluente do rio Douro. Está ainda próximo do Castelo de Penedono. Desde o século XII, a povoação e seu castelo adquiriram importância estratégica na raia com o Reino de Leão, a par de outras localizades como a Guarda e a Covilhã. Atualmente é a grande atração da cidade, atraindo milhares de turistas.

A constrição primitiva que originou o castelo era uma torre defensiva que remonta à época da Reconquista cristã da Península Ibérica quando, no início do século X, a região foi ocupada e seu repovoamento promovido por Rodrigo Tedoniz.
Suportou, juntamente com os seus vizinhos, por cerca de um século, as vissicitudes da oscilação das fronteiras entre cristãos e muçulmanos, até à reconquista definitiva das terras de Entre-Douro-e-Mondego por Fernando Magno, que compreendeu as terras de Trancoso em 1057 ou 1058. Quando da constituição do Condado Portucalense, a povoação e seu castelo fizeram parte do dote da condessa D. Teresa.
Posteriormente, à época da Independência de Portugal, acredita-se que com D. Afonso Henriques foram feitos reforços nas defesas.
O castelo seria comprovadamente fundado em 1159, sendo referido um novo foral em 1173, quando os domínios da povoação e seu castelo foram doados à Ordem do Templo. Quando da questão da sucessão de Sancho II de Portugal, a povoação e seu castelo passaram por dificuldades até chegarem às mãos do regente indicado pelo Papa Inocêncio IV, o infante D. Afonso, futuro rei Afonso III de Portugal (1248-1279).
Deste momento a tradição local refere que, em 1248, estando D. Sancho II em retirada para o exílio em Castela, escoltado por forças de Afonso X de Castela que haviam vindo a Portugal apoiá-lo, havendo sido derrotadas nas imediações de Leiria, ao passarem por Trancoso, saiu-lhes do castelo ao encontro Fernando Garcia de Sousa. Este cavaleiro desafiou para um duelo singular a Martins Gil de Soverosa, cavaleiro de D. Sancho II, declarando que a sorte do duelo decidiria a do castelo.
O soberano deposto, entretanto, opôs-se ao combate, recolocando-se em marcha, passando o Castelo de Trancoso ao domínio de D. Afonso III.

Local de um casamento real
D. Dinis (1279-1325) ali realizou a cerimónia de casamento com D. Isabel de Aragão, a ‘Rainha Santa’, a 24 de junho de 1282, e o castelo de Trancoso foi um dos que o soberano lhe outorgou como dote. Dentro do contexto da assinatura do Tratado de Alcanices (1297), este rei foi também o responsável pela ampliação da cerca da vila, amparada por diversos torreões de planta retangular. É daquela altura a construção das monumentais Porta de El-Rei e Porta do Prado, e a reformulação da malha urbana, considerada como um dos melhores exemplos do urbanismo gótico em Portugal.
No contexto da crise de 1383-1385, ao final da Primavera de 1385, os arrabaldes de Trancoso foram saqueados por tropas castelhanas a caminho de Viseu. Ao retornarem com o saque, saiu-lhes ao encontro o Alcaide de Trancoso, Gonçalo Vasques Coutinho, com as forças do Alcaide do Castelo de Linhares, Martim Vasques da Cunha e as do Castelo de Celorico, João Fernandes Pacheco.
No mês seguinte, uma nova invasão de tropas castelhanas, sob o comando de D. João I de Castela em pessoa, volta a cruzar a fronteira por Almeida e, de passagem pelo alto de São Marcos, incediou-lhe a Capela em represália. D. João I (1385-1433) reforçou a sua defesa durante as guerras com Castela, diante das invasões da Beira em 1396 e 1398.
Embora existam informações sobre obras realizadas nas suas defesas ao longo dos séculos XIV e XV, as fortificações de Trancoso só voltam a conhecer movimentação bélica durante a Guerra Peninsular, quando aquartelam diversos contingentes de tropas, entre os quais os britânicos do general William Carr Beresford, em 1809.
Em meados do século XIX, a Capela de Santa Bárbara, então em ruínas no interior, foi adaptada a paiol de pólvora, embora jamais tenha vindo a exercer essa função.
À época, a Câmara Municipal autorizava a demolição de troços da cerca da vila, visando reaproveitar a pedra assim obtida em obras públicas, tais como a pavimentação das vias. Dentro dessa lógica, na passagem para o século XX foram demolidas algumas das antigas portas e as torres que as guarneciam.
Tanto o castelo como as muralhas de Trancoso foram classificados como Monumento Nacional por Decreto em 8 de Julho de 1921. Na década de 30, a Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais promoveu algumas intervenções que levaram à recriação de diversos trechos destruídos, tais como ameias e troços de muralhas.
Em Dezembro de 2004, a terra que desde tempos remotos era conhecida como vila foi finalmente elevada à categoria de cidade. Atualmente, Trancoso está inserida no Programa das Aldeias Históricas de Portugal.

A bela Trancoso
Localizada no topo de um planalto, de onde se avista um vasto território entre a serra da Estrela e o vale do Douro, a cidade de Trancoso desenvolveu-se em torno do seu castelo. Trancoso chegou aos nossos dias rodeada de muralhas e com um belo castelo, ambos de construção medieval.
Foi terra de fronteira, palco de diversas lutas e batalhas para a formação e independência do reino e recebeu importantes privilégios. D. Afonso Henriques concedeu-lhe a carta de Foral (século XII) e D. Afonso III a carta de Feira (século XIII). D. Dinis mandou construir as muralhas que ainda hoje protegem um local onde conviveram cristãos e judeus. A importância da então vila está patente no facto do rei a ter escolhido para local do seu casamento com D. Isabel de Aragão.
Ao longo de toda a Idade Média, foi um lugar estratégico-militar extremamente importante, instalado numa região de fronteira instável, onde ocorreram vários conflitos e batalhas, primeiro entre cristãos e muçulmanos e, mais tarde, entre Portugal e os reinos vizinhos. Mais recentemente, Trancoso envolveu-se em outros acontecimentos que marcaram a História de Portugal, de que são exemplo, já no séc. XIX, as Invasões Francesas e as lutas entre liberais e absolutistas.
Com os seus numerosos monumentos, da arquitetura civil e religiosa, é um dos mais expressivos centros históricos de Portugal. Por isso, quando lá for, aproveite para visitae as igrejas paroquiais de Santa Maria e de S. Pedro, a Casa dos Arcos, a Igreja da Misericórdia, a Casa do Gato Preto (um curioso edifício do antigo Bairro Judaico) e o Pelourinho. E, claro, o Castelo…

 

Fonte/MP

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