Vinhos Aveleda, uma das cinco melhores empresas Portuguesa, a ‘dar cartas’ nos quatro cantos do mundo desde 1870

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Tudo começou ainda no século XIII, altura em que a família Guedes ocupou o espaço da actual Quinta da Aveleda, sediada no norte de Portugal, na cidade de Penafiel. Alguns séculos mais tarde, no ano de 1870, o trisavô (Manuel Pedro Guedes) de Martim Guedes, actual Administrador/Managing Director da empresa, decidiu dar inicio à venda de vinho engarrafado. Na altura, a empresa que começou por produzir nove pipas de vinho, por ano, produz hoje 17 milhões de garrafas, e o grande objectivo é chegar a 2020 com 20 milhões. O que coloca a empresa de vinhos numa das cinco melhores de Portugal e a líder no segmento dos vinhos verdes.

A Portugal MAG esteve à conversa com Martim Guedes, que faz parte da 5ª geração da família Guedes, tendo assumido o comando na administração da Aveleda há nove anos, e garante estar satisfeito com o percurso percorrido.

 

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Entrevista a Martim Guedes (Administrador da Aveleda / Managing Director)

Como chegou ao cargo que desempenha hoje, no seio de uma família tão grande?

 

Estou há nove anos na Aveleda e quando comecei a trabalhar não fazia de todo parte dos meus planos. Estava no ramo financeiro, trabalhei na banca durante seis anos e planeava que a minha vida seguisse esse rumo, foi uma mudança radical. Ate porque a minha família é grande e não sabíamos quem ia trabalhar na empresa. Depois o meu pai é que me foi desafiando e mostrando o negócio, deixando-me curioso e com o bichinho do negócio e eu fui, progressivamente ficando interessado, ate que um dia candidatei-me e… já lá vão nove anos e não me arrependo de nada.

Na minha geração somos 14 primos, trabalhamos dois na empresa. Na geração do meu pai sai seis irmãos, que são hoje os donos da empresa. Somos uma família relativamente grande para os dias de hoje.

Em termos históricos, quando começou a exploração da Quinta da Aveleda nesta vertente?

A família está na quinta da Aveleda, no espaço, desde o século XIII. A ligação já é antiga, mas durante muitos séculos, era a típica economia de auto-consumo que havia no norte de Portugal. Onde se produzia um pouco de tudo. E 1870 é que o meu trisavô, Manuel Pedro Guedes, uma pessoa que vinha da área da política, e um dia se fartou, resolveu dedicar-se ao negócio. Era uma pessoa com um espírito empreendedor muito grande e então conseguiu inovar bastante na forma como conduzia as vinhas e como dirigia as coisas. Em 1870 começou a vender vinho engarrafado, são os primeiros registos que temos, e em 1888 já tinha uma medalha de ouro em Paris e outra em Berlim. De acordo com os documentos históricos, teve desde o inicio muito sucesso! Era uma pessoa muito inovadora e curiosa. A quinta produzia nove pipas por ano, e imediatamente ele fez uma adega para 300 pipas. Era este o crescimento que anteviu e viu, ainda em vida, a quinta a produzir mais de 300 pipas. Apostou desde muito cedo neste negócio, acreditava que o futuro era o vinho, e teve sucesso…

Este ritmo de crescimento, mantém-se nos dias de hoje?

Sim, acho que sim. Tem havido momentos importantes… Depois, o neto dele, meu avô, teve um papel fundamental, em 1939, ano em que apareceu o Casal Garcia, um episódio muito importante para a companhia, que hoje é a nossa principal marca. Mais uma vez, com um enólogo francês, que revolucionou a forma de fazer os vinhos e introduziu tecnologias completamente novas na região. E o vinho teve logo sucesso. Desde o inicio dos anos 50, começou logo a ser exportado para o Brasil, e depois para todos os países de língua portuguesa.

Nos restantes países, como a França, Suíça, Canadá, Alemanha, sobretudo onde havia núcleos portugueses, apostou-se e tentou-se desenvolver, e bem. As comunidades portuguesas acabaram por ser portas de entrada extremamente importantes para os nossos vinhos. Há locais onde se não fossem as comunidades portuguesas, não tínhamos conseguido entrar, como o caso dos Estados Unidos, o Texas, ou a Florida. Hoje em dia, quando tentamos vender para um local onde não há comunidades portuguesas notamos que há uma maior dificuldade, como o caso da China, Coreia, Japão ou Austrália, por exemplo.

Quanto vinho produz a Quinta, anualmente?

Hoje em dia já não usamos a pipa como unidade de mediada, usamos as garrafas. Este ano vamos fazer 17 milhões de garrafas, e o nosso grande objectivo é chegar a 2020 com 20 milhões de garrafas, e estamos a cumprir. O que nos coloca numa das cinco melhores empresas portuguesas e a líder no segmento dos vinhos verdes.

Além de Portugal, onde podemos encontrar os vinhos da Aveleda?

Portugal será sempre um mercado muito importante, até porque é o nosso mercado montra onde as pessoas vêem os nossos produtos, e nunca deixara de ser o nosso principal mercado.

Lá fora, digamos que há cinco mercados que se destacam dos outros, os dois primeiros são os Estados Unidos e a Alemanha, onde temos tido um ritmo de crescimento muito interessante. Depois temos um grupo onde está o Canadá, Brasil e França. Neste ultimo, conseguimos vender mais de um milhão de garrafas, e acho que aqui o papel da comunidade portuguesa é fundamental.

Ao longo dos anos, têm sido distinguidos com vários prémios. É gratificante?

Sim, de todo. Há dois que são muito importantes. Acho o concurso Top3 Best Buy muito interessante, porque é feito numa revista americana, Wine Enthusiast. Eles provam todos os anos cerca de 5000 vinhos do mundo. E depois estabelecem um ranking de pontuação ponderada também pelo preço, fazendo uma relação de preço/qualidade. Sistematicamente o nosso vinho Quinta da Aveleda (já é o 4º ano seguido) tem estado nos três primeiros lugares do mundo. Inclusive em 2014, ficou no 1º lugar. O que é fantástico, mostra que o vinho ano após ano tem conseguido ter uma óptima relação de preço/qualidade. O nosso desafio é fazer um produto com tanta ou mais qualidade, mas a um preço mais baixo, sobretudo, do que a França, Espanha e Itália.

Outra competição que para nos também é muito importante o concurso Wineries of the year. Eles provam mais de 5000 vinhos, de varias casas e depois fazem uma media das pontuações das várias empresas. Este é um premio de consistência, onde durante onze anos fizemos parte do grupo das 100 empresas do mundo. E isto para nos é interessante. Há muitos vinhos que têm prémios, mas conseguir fazê-lo todos os anos, é mais difícil, nota-se que não é um vinho que calhou bem por mero acaso.

Que planos reservam para o futuro da empresa?

Para além da aposta na qualidade, temos a parte inovação, porque queremos todos os anos lançar produtos novos para o consumidor. E temos ainda outro projecto, que é o Douro. Somos hoje uma casa muito dependente dos vinhos verdes, mas sentimos que há ali uma oportunidade nos vinhos tintos, onde não temos uma presença forte. Sobretudo nos vinhos tintos de qualidade e Premium, que é o Douro. Estamos muito próximos e fizemos este ano uma aposta nessa região, compramos uma quinta, porque acreditamos que a região do Douro tem imenso potencial, e tem tido imensa notoriedade. É uma região única, que quem visita nunca mais se esquece, daquela paisagem. E é a região mais antiga, demarcada, do mundo… e chegamos a uma fase que concluímos que a empresa não pode estar fora disso.

Fonte/PortugalMAG